a morte

06/05/2011

Essa noite eu vou sonhar com discos voadores pairando em meio à tempestade cerebral dos temas que redemoinham na caixa óssea de um universo veementemente desconexo, em cujos destroços se ensaia o prazer de atinar para a diminuta beleza dos rigores recônditos, em cujos restos empreende-se o gozo íntimo e suave dos objetos que envelhecem a morte.

Cozinhando autonomias, que o desembaraço é de manusear. A vida é de fazer. Um caboco inerte é um compositor de indolências. Um sujeito largo é um condutor de desobstruências. A gravidade é de inventar cavidades que a gente desabrolha na fachada da vida. Orar ao que eu não sei. Atirar-me a enfeitar a vida e beber muita água. Sempre que se possa. Tragar de tudo um pouco e cagar de tudo o mesmo. Correr mais longe. Sempre que se agüente. Dizer de coisas úberes: plenas ou frívolas. Freqüentar o dicionário, que é o melhor amigo do homem.

escada secador

04/05/2011

Amanhã a liberdade de cumprir o planejado terá a aparência das seis da tarde. Presumindo que eu ressuscite até o meio dia, serão quatro horas para ver e ocasionar o amor. Enquanto escada, não secador.

A bola de cristal dizia que o amor não se deixa. Dizia que são necessárias em média quatro horas diárias penteando o registro cotidiano do espanto, fiando a fio no tempo que requer o tempo e mais quatro horas administrando a admiração, esculpindo cópias fiéis do simples ininterrupto relógio da existência.

Dia de sol por trás da dor de garganta. Um filme em nome da dobradiça da porta me supõe na sala de cinema. Uma seqüência a respeito da dor inviolável. Uma série para a liberdade do por vir. Um fotolito duplipensante, em que o processo se justapõe ao próprio processo, como nos filmes de Hitchcock, em que vemos o diretor surgir na tela sempre uma única vez, numa cena exclusiva. Naquele instante, desconfio eu, ele nos brinda com o leve bafo da verdade.