beijo

03/11/2011

Primeiro vêm perguntas, do tipo, como vão as coisas, ou em que pé estão os preparativos para o fim de ano. Depois vêm outras. O cabelo continua o mesmo. Faz quanto tempo que você não o corta. Tudo com interrogação no final. E o Japão, ainda te fascina. As palavras, a multiplicidade. Ontem eu me lembrei de uma frase sua que eu não vou esquecer nunca. Eu sinto que nunca nasci. Pois eu sinto que já morri. É a mesma coisa? Belo Horizonte e eu ultimamente: bebo muita água. Acabei de encher duas garrafas e ambas já me miram esvaziadas. Jogo futebol toda segunda-feira. Não sou craque, mas meto gol, e na terça eu nem ando direito. Depois de passar por Bukowski e o grande herói Henry Chinaski, João do Rio, Machado e outros, me meti numa bela enrascada de 500 e tantas páginas, chamada Cisnes Selvagens. A China é um belo exercício de alteridade. Quase não vejo televisão, e tampouco filmes, mas, recentemente, assisti a um filme devagar quase parando, Um Doce Olhar. Que belo. Não ando muito para artista ultimamente. Não me interesso. Mas comprei dez estatuetas de formiga para presentear meus queridos no Natal. Se você estivesse por aqui, certamente levaria para casa um belo inseto enferrujado de aço forjado. Ano passado eu só presenteei as mulheres. Este ano é dos homens [mas eu abriria uma exceção pra ti]. E eu adoro formigas. Também gosto de ratos e porcos porque recentemente descobri coisas inacreditáveis sobre eles. Os porcos têm pensamento simbólico. Os ratos têm linguagem tão complexa quanto a nossa. Mas eu fico bem humano, admirando com meus olhos de estrangeiro as obras de deus. Não espero nada de 2011. Só sei que de vez em quando vai chover. Lá fora e aqui dentro. Bom, aí vai meu coração. Um beijo.

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mesma

03/11/2011

O rapaz escrevia por pura força de vontade, que vontade mesmo ele não sentia qualquer, não naquele momento. Ele queria viajar, precisava viajar. Pensou em pedir aos pais uma viagem, estava cansado. E agora, doente, com a garganta inflamada, tudo isso se evidenciava. Não agüentava mais a vida, os desejos todos demovidos, ele se sentia propriamente um covarde frágil e dúbio. Uma vontade de chorar, a saudade vazia, ele só escrevia porque sabia que sem história não haveria nada para além da deselegância generalizada dos jornais, das revistas, da cidade de São Paulo e do Facebook. Naquele exato momento, ele se encontrava precisamente mordido com os altos teores de imbecilidade, incluindo a sua mesma.