suga o tempo para

14/01/2017

A primeira imaginação do homem torto: ao final de tudo uma borracha veloz em marcha ré apaga cada linha deste texto. Ele é um clarividente ao contrário, narra sua existência por meio da eloquência muda de sua dança, língua gesto, uma criança surge ao fundo a olhá-lo. Sua imaginação emana ruídos, luzes, da rua. Em Taiwan, muito tempo só, de costas, foi envergando a imaginação até derramar a cabeça na superfície de vidro de um cinema de sombras, e nós a lhe dar comida, banho – assim ele não apodrecia. Com as chuvas ficou mais claro, torto e marcial, talvez matasse se preciso fosse, o peregrino. Ele vem, passa por nós às bordas do mar aberto. Casas vão se abrindo, templos, que ele adentra encarnando estátuas de outrora. Atravessa diversos sítios entre Ásia e Europa, até chegar aqui. Ele vem, sabemos, há luz aqui, ele vem, corpo a caminho, imagem que acontece, em vinte minutos, em horas. E quando ele chegar e de frente ficarem o teu e o corpo torto dele, nota, o espaço suga o tempo para.