20/09/2017

Diógenes vai ao Oráculo de Delfos cujo conselho é, “transfigurar os valores”, os quais Diógenes interpreta não como financeiros, mas políticos. Ele então viaja a Atenas com o objetivo de desafiar os costumes e os valores estabelecidos, argumentando que em vez de tentar compreender a verdadeira natureza do mal, as pessoas se rendem sem esforço às interpretações mais costumeiras. Tal distinção entre a natureza (“physis”) e o costume (“nomos”) é um tema muito querido da filosofia grega, de que Platão se ocupa na República, na lenda do Anel de Gyges.

Diógenes chega a Atenas com um escravo de nome Manes, que logo o abandona. Com seu humor característico, ele descarta sua posse dizendo, “se Manes pode viver sem Diógenes, por que Diógenes não pode viver sem Manes?”. Diógenes zomba de relações de extrema dependência. Ele encontra a figura de um mestre desesperadamente desamparado, que não é capaz de fazer nada por conta própria. Ele é atraído pelos ensinamentos ascéticos de Antístenes, pupilo de Sócrates. Quando Diógenes pede a Antístenes que o oriente, este o ignora até que o enxota, ao que Diógenes responde, “bate, pois enquanto eu achar que você tem algo a dizer, madeira nenhuma será dura o suficiente para mantê-lo longe de mim”. Diógenes se torna então pupilo de Antístenes. Se os dois realmente se conhecem é incerto, apenas sabemos que Diógenes supera seu mestre em reputação e austeridade, evitando os prazeres terrenos e contrastando seu comportamento ao dos atenienses de sua época, atitude fundamentada em enorme desdém pelo que considera a loucura, a pretensão, a vaidade, o auto-engano e a artificialidade da conduta humana.

A história de Diógenes é a história da coerência de seu personagem. Ele se habitua ao tempo vivendo com os cães em uma jarra de barro no templo de Cibele. Ele destrói a única tigela de madeira que possui ao ver uma criança camponesa a beber do oco das mãos. Ele então exclama, “louco que sou, transportando bagagem supérflua todo esse tempo”. É contrário aos costumes atenienses comer dentro do mercado, e ainda assim ele come lá, pois, como explica ao ser repreendido, é quando está no mercado que sente fome. Diógenes passeia em plena luz do dia com uma lamparina e quando questionado, responde, “estou à procura de um homem honesto”. Ele procura, mas não encontra nada além de patifes e canalhas.

Platão define para Sócrates o ser humano como um “bípede sem penas” e é muito elogiado pela definição. Diógenes então depena uma galinha e a traz à Academia de Platão, dizendo, “aí está, lhe trago um ser humano”. Após tal incidente, Platão adiciona à sua definição, “com unhas largas e planas”.

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