15/10/2017

Me viro, bunda na terra vermelha, pés para o alto e uma perspectiva misteriosa do Centro Cultural, um recorte escheriano para dentro do qual mergulha o voo de uma ave vira-lata. Ao fundo, bem à esquerda, dois breves trechos de uma igreja mesogótica, um ser antigo surgindo detrás de chatos jovens. Um homem surge no terraço oposto, carrega um saco, parece poderoso, ele nos vê a olhá-lo, aponta-nos algo, ergue o braço, sorrio, Mari se vira a ver o que é, o homem tampa a orelha – um chamado. Erika vem, Filipe se vai. Erika tem as mãos sujas de gesso. Um canteiro – flores por vir. Erika – está descalça. A grande nuvem – vai e vem, como a polícia. O segurança surge, tudo se dissolve. Me viro para a avenida que dá numa serra enevoada pela distância, presença gigante, a ver-nos de outra era. Do buraco sai um decalque de floresta. Erika se deita de barriga através do banco. Os pés suspensos. O papel na terra. Terra.

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