fim

29/01/2013

Numa exposição de fotografias que são na verdade desenhos feitos de giz pastel, um sujeito se depara com imagens em preto e branco de caminhos, estradas, atalhos, veredas, cuja perspectiva aponta sempre para lugar nenhum. Em um dos desenhos, uma piscina com suas raias faz as vezes de uma estrada em meio a uma paisagem desértica. O sujeito então se imagina, instantaneamente, nadando, eternamente, naquela direção, rumo ao nada, nadando, numa piscina sem fim.

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beijo

03/11/2011

Primeiro vêm perguntas, do tipo, como vão as coisas, ou em que pé estão os preparativos para o fim de ano. Depois vêm outras. O cabelo continua o mesmo. Faz quanto tempo que você não o corta. Tudo com interrogação no final. E o Japão, ainda te fascina. As palavras, a multiplicidade. Ontem eu me lembrei de uma frase sua que eu não vou esquecer nunca. Eu sinto que nunca nasci. Pois eu sinto que já morri. É a mesma coisa? Belo Horizonte e eu ultimamente: bebo muita água. Acabei de encher duas garrafas e ambas já me miram esvaziadas. Jogo futebol toda segunda-feira. Não sou craque, mas meto gol, e na terça eu nem ando direito. Depois de passar por Bukowski e o grande herói Henry Chinaski, João do Rio, Machado e outros, me meti numa bela enrascada de 500 e tantas páginas, chamada Cisnes Selvagens. A China é um belo exercício de alteridade. Quase não vejo televisão, e tampouco filmes, mas, recentemente, assisti a um filme devagar quase parando, Um Doce Olhar. Que belo. Não ando muito para artista ultimamente. Não me interesso. Mas comprei dez estatuetas de formiga para presentear meus queridos no Natal. Se você estivesse por aqui, certamente levaria para casa um belo inseto enferrujado de aço forjado. Ano passado eu só presenteei as mulheres. Este ano é dos homens [mas eu abriria uma exceção pra ti]. E eu adoro formigas. Também gosto de ratos e porcos porque recentemente descobri coisas inacreditáveis sobre eles. Os porcos têm pensamento simbólico. Os ratos têm linguagem tão complexa quanto a nossa. Mas eu fico bem humano, admirando com meus olhos de estrangeiro as obras de deus. Não espero nada de 2011. Só sei que de vez em quando vai chover. Lá fora e aqui dentro. Bom, aí vai meu coração. Um beijo.

nome

25/09/2010

Uma etnografia fantasma de contornos surrealistas.

Minhas botas estão enlameadas, meu cabelo está comprido, minhas unhas estão sujas. Mas eu aprecio esta imundice, na qual tudo o que eu amo se torna tão puro e distante.

Uma espécie de ciência [que esqueceu seu nome].

pessoas

24/09/2010

 

Hoje a idéia é largar em local público os computadores de dez pessoas.

84094446

22/09/2010

Desentupidora Low Tec. Dia e noite. Orçamento e visita grátis. Desentupimos qualquer idéia, desembuchamos qualquer fantasia, sem máquinas, sem danificar revestimentos ou tabiques. Facilitamos o pagamento em até 3 vezes. 20% de desconto em desentupimento. Limpa fossa. [11] 84094446.

vizinhos

22/09/2010

Hoje eu escrevi um ensaio sobre o óbvio. Uma apreciação de todas as coisas incontestáveis que estão diante dos meus olhos. Uma análise da varanda de Felisberto. Um estudo pormenorizado dos meus pés descalços.

azul

20/09/2010

Decorro de uma exatidão urgentemente inevitável, de um momento genuinamente único, porque gosto de você. Ontem furei um sinal ortográfico, sem querer. Meu propósito era ligar, nas suas vistas, o sujeito ao predicado. Queria escrever seu nome, seu telefone. Queria atinar pra você no Maleta. Queria lhe beijar com uma frase. Devorar-lhe com duas ou três palavras. Colorir seu útero de azul.

dele

17/09/2010

Como os insetos e os batráquios, estou sujeito a uma variação contínua de forma sem, contudo, perder a unidade do meu próprio nome. Cada um de nós é a própria redefinição das fronteiras.

Nenhuma grande generalização, pois a particularidade é geral.

Faço o que com isso?
Sei lá, porra. Não fui eu quem trouxe isso pra cá.
Ah, não? Quem foi, então?
O merda do seu marido.
Verdade. No ano passado.
Assim que voltou de viagem.
Como é que você se lembra disso?
Foi a primeira vez que toquei você.
Sim, durante o jantar. O que comemos naquele dia?
Uma macarronada, receita da sua tia.
Sua memória é um perigo.
A sua também.

Essa noite eu vou a campo para investigar o que está fora dele.

mim

15/09/2010

O texto a seguir é uma carta que, assimetricamente, possui apenas destinatário. Nada de remetente. Uma carta só de ida.

Hoje eu pratiquei uma escrita probatória, pus à prova a prova científica através de uma manifestação feminil da minha masculinidade. Hoje eu me fascinei por tudo aquilo que sei sem exatamente saber. E estas palavras, instantes miraculosos deste olhar que petrifica a si, contêm nesse porvir pedra o início de sua aspiração liberta. Exaltação e torpor inspirados pelas múmias que o metrô de São Paulo carrega para dentro das galerias concretas de uma caverna suspensa, apesar de subterrânea.

Hoje eu concluí que as palavras são bichos bravios, indomesticáveis. O autor, um mero coadjuvante.

Coisas de um homem longe de casa.

Eu tinha 15 anos. Uma colega de sala declaradamente católica a quem tentávamos, eu e um amigo, dissuadir, mostrou-nos uma passagem do livro de bolso que carregava aonde quer que fosse, uma espécie de guia para o bem-estar do bom cristão. A passagem, fascinante, alertava o leitor para o aparecimento, sempre possível, de boas porém incrédulas pessoas que tentariam afastá-lo de Deus, situação que revelaria, por sua previsibilidade, a força da fé professada, sua resistência diante de um mal eminente.

Os textos poderiam conter o tempo que levam. 01h52min. Agora 01h54min. A revolta das palavras. Quatro minutos depois.

No dia em que li Michel Leiris e A Idade Viril  mulher que mais tarde eu haveria de suspeitar que me enganava, ou tinha vontade de me enganar, com uma menina, e que tinha geral curiosidade pelo amor de seu sexo, traição talvez ainda pior do que se fosse com um homem, pois aqui se tratava realmente de um outro amor, contra o qual nada se pode fazer – eu sonhei com uma ex. Numa festa de amigos ela chega acompanhada de sua nova namorada. Agora são 02h37min.

Ela fechava o laptop dele, que já desmaiara no sofá, quando reparou uma janela animada na barra de ferramentas. Clicou-lhe um clique aflito e leu a mensagem de outra, “– Já recebeu o cartão postal que eu te enviei?”.

Você é um boçal, é isso que você é! Um malfeito filho da puta. Você não disse que nem conversava mais com ela? Não alucina. Isso não tem fim? Papo velho, porra. Eu não estou aqui contigo, agora? Você mentiu pra mim! Você me traiu. Não é verdade. Você está mentindo pra mim, eu sei. Você está aqui agora, amanhã eu não sei onde você vai estar. Você vive uma vida dupla e não é isso que eu quero pra mim…

graphics

11/09/2010

Global crisis

Cultural changes

Collapse of old beliefs

 

Increased anxiety

New digital needs

Hyper consumption

 

Multi-Tasking

Always connected

Virtual identities

 

The effect of all these facts combined is

Change

 

At the edge of this change we see a

Young generation

Mixing genres and

Defying categories

 

They’re constructing their lives and they’re

Communities in the name of

Self-expression

Collaboration and

Celebration

 

They’re likely to accept

Technology as nature and

Nature as technology

Looking forward to a

Futuristic world placed in a

Primitive unity

 

Expanding the boundaries between

Irony and truth

Ancient and new

The collective and the individual

 

This is a cultural impulse to creating

New united global culture

We can define it as

Cosmopolitan tribalism

Icons and concepts

M.I.A. – “Galang”

Dance

MGMT – “Electric Feel”

Celebration

Cobrasnake

Hedonism

CSS – “Alala”

Raul deNieves – “Joy Shrine”

Face painting

Color wheel

Tribal Patterns

Timothy James

Manish Arora

Kate Moross

Shape-shifting

Santogold – “Lights Out”

Colorful motifs

Santogold – “Lights Out”

Assume Vivid Astro Focus

Sacred geometry

Holy Hail – “Cool Town Rock”

Simmons and Burke

Symbolism

Ebony Bones – “Don’t Fart on my Heart”

Natalie Portman’s Shaved Head – “Sophisticated Side Ponytail”

Yeasayer – “Wait for the Summer”

Cultural Expressions

Totems

Hot Chip – “One Pure Thought”

Os Gêmeos – Deitch Projects, NYC

Idols

Tim Biskup

Gelitin

Primitivism

Cassetteplaya – Primitive Futurist Collection

Abravanation Movement

Neo-psychedelia

Neon

Andrea Crews

Klaxons – “Gravity’s Rainbow”

Shamanism

Gnarls Barkley – “Run”

Cyril Duval – Item Idem

Rituals

Thunderheist – “jerk it”

Bat for Lashes – “Prescilla”

Grizzly Bear – “The Knife”

Carnival

Beck – “Gamma Ray”

Color Wheel – Deitch Projects, NYC

MGMT – “Time to Pretend”

Market Responses

Nike Sportswear

Ford Fiesta – “This is now”

American Apparel

Uniqlo

Converse – “My Drive Thru”

Bacardi Holographic Party

Nike iD – Street Canvas

Nike iD – Street Cubes, London (Customer Become the Heros of the Campaign)

Top Shop featuring Kate Moross

Levi’s featuring Damien Hirst

Adidas featuring Jeremy Scott / Keith Haring

Pantone Eyewear

iPod Nano-Chomatic

Colorsplash Chakras Camera

Mac Cosmetics Book featuring Boombox

Justice – “D.A.N.C.E” T-Shirts

Ed Banger Records featuring So!Me Graphics