19/07/2012

Em paz não que a paz é um tédio.

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mesma

03/11/2011

O rapaz escrevia por pura força de vontade, que vontade mesmo ele não sentia qualquer, não naquele momento. Ele queria viajar, precisava viajar. Pensou em pedir aos pais uma viagem, estava cansado. E agora, doente, com a garganta inflamada, tudo isso se evidenciava. Não agüentava mais a vida, os desejos todos demovidos, ele se sentia propriamente um covarde frágil e dúbio. Uma vontade de chorar, a saudade vazia, ele só escrevia porque sabia que sem história não haveria nada para além da deselegância generalizada dos jornais, das revistas, da cidade de São Paulo e do Facebook. Naquele exato momento, ele se encontrava precisamente mordido com os altos teores de imbecilidade, incluindo a sua mesma.

nua

26/10/2011

Melhor não teres grandes idéias, elas não vão sobreviver. Tu te colores de branco e te sarras arrebatada, mas haverá de faltar-te algo. Se me encontras fui embora, se me tentas não sentes nem te dás conta de que te ausentaste dos trilhos. Então melhor não teres grandes idéias, pois elas não vão sobreviver. Irás para o inferno pelo que inventa tua mente porca.

vigarista

16/10/2011

É tudo tão simples, tão simples. Depois de tanto verbo a pessoa morre. Comecei assim, eu me perguntei, como se divertir na internet? Alguém respondeu, entra no meu blog, na boa entra mesmo, por favor, você vai gostar. Deixou o endereço, e, por favor, deixa lá um comentário, só vai me ajudar, obrigado. Observação, o blog é vigarista. Gente, eu rachei de rir.

selvagem

28/09/2011

Meus leões são quase eu segundo definição do dicionário. Começam mamíferos, seguem sua trajetória carnívoros, dão suas primeiras piruetas felídeos. Panthera Leo. Amarelo-laranja, Bufão, Clown. Cinzento-amarelado, Dândi. Predadores imaginários a surpreender zebras e antílopes. Vivem comigo. Com um ano e meio eu perambulava por entre as grades deles. Com cinco anos cuidava deles. Aos oito os domava em público. Hoje vivo em companhia de 20 leões, minha cabeça na boca de todos eles. Selvagem.

bustos

28/09/2011

Há uma canção africana que diz que as estepes são a guerra que se evidencia na savana por meio de festas cobertas de arbustos.

01/08/2011

deus

08/07/2011

Chegou o dia de são joão, o santo que perdeu a cabeça depois de negar o amor de salomé, a púbere que uma vez rejeitada, dançou pela decapitação do homem que preferia deus.

ria

16/10/2010

Hoje eu escrevi o que não disse, não diria e, sem dúvida na verdade, jamais pensaria.

rompeu

01/10/2010

Quando deixei a noite dos meus olhos, foi o reflexo fino, do sol no tambor do revolver, o que primeiro me viu. Os olhos sem fundo, virados pra dentro, não se deram conta dos meus. Ele empunhava um revolver.

– “Sei que você está desperto. Agora deve estar pensando, qual a probabilidade d’esse transtornado me acertar? Não se preocupe, a faca, ainda que cega, corta”.

Ele empunhava os próprios olhos, que iam me seguindo. Pesadelo. A sensação da bala percorrendo o corpo, alojando-se na minha cabeça. O peito abrasando, o torpor queimando tudo por dentro. Mas eu estava acordado agora. E na saída do beco a vigília de um cão farejador que não me via mas adivinhava a minha respiração, meu cheiro, meu calor. Dei um passo em sua direção. A mão ergueu-se o suficiente para mirar meu peito.

– “O que você pensa que está fazendo”, ele perguntou. “É, não posso dizer que você não seja um homem de coragem. Não posso subestimar seu despojamento. Imundície. Ensinar-lhe foi meu malogro. Você era o aprendiz ideal. Até encontrar a melhor das iguarias e fazer sentarem os livros, inúteis, para assistir seu desfrute. Você comeu minha mulher. Debaixo do meu nariz”.

Não havia o que dizer. A mão dele subiu até a cabeça, o cano acima da orelha. A arma disparou e o vidro da janela rompeu.