sempre quis fazer

20/10/2011

– Você agora volta à janela. Isso, você está literalmente sentado nela e você acaba de encontrar um lugar muito propenso – a janela. Você agora se vê vivendo seus próximos anos sentado nela. Olhando uma outra cidade – “frevo foguete subindo que nem a porra”. O Pedro te disse que não dá pra saber o que é. Não é simples nem complexo. Hoje, sentado aí nessa janela você levou um tiro logo depois de dizer que todos os dias você acorda e pensa que aquele pode ser o último. Você não sabe o que dizer, você dorme com um monstro de pelúcia, ou melhor, de croché. E tudo isso é verdade.

[algo acontece]

– Como é verdade que você calhou de virar esse caderno, que é o mesmo que uma janela pra ti. E a janela de algum modo te ensina uma perspectiva – um lugar exposto e secreto ao mesmo tempo.

[outra coisa acontece]

– Você vive num tempo de muita insatisfação, muitos levantes, as pessoas protestam com prazer, há vigor estético no protesto. E você é um dos personagens dessa história. É. Mas seu personagem não é você – é difícil de explicar. A questão é que seu personagem decidiu fazer coisas como isso daí. E é mais ou menos isso que você sempre quis fazer.

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simples

26/09/2010

A divindade das diminutas coisas, das pequenas consistências em cuja imprevisibilidade se encontra o impulso que está, por um triz, apartado da violência pura e simples.

corpo

26/09/2010

O pensamento do meu corpo.

Os mitos indígenas são nascentes insinuantes, falam de um estado do ser em que os corpos e os nomes, as almas e as afecções, o eu e o outro, se interpenetram, mergulhados em um mesmo meio em que subjetividade e objetividade são a mesma e única coisa. Um meio em que a comunicação distingue, operando diferenças positivas. Os outros foram o que somos, semelhança inaugural que devolve objetividade intrínseca às coisas ditas não objetivas. Algo que mistura bem o que um dia separamos mal. 

Os espíritos deixam de operar distintividades singulares. A comunicação redefine seu estatuto e torna-se condição mais que necessidade. Ela é, está, faz. As compreensões se tornam todas, de saída, objetivas. A comunicação é inaugural e dispõe para funcionar a diferença. A objetividade, inaugural, nasce do nascer do próprio corpo.

criação

26/09/2010

Ontem larguei o lap aberto em público, e a tela ficou lá, fazendo parte do espaço. Uma página pela metade e um roteiro. Coreografias do cotidiano. Um drama bailado, movimentação melódica para os arranjos do dia-a-dia. Uma cena: o sujeito e a escrivaninha, some books, luz pouca e laptop. O texto que ele registra transa com o cenário e as palavras proporcionam costumes que excedem os limites da representação. Texto e dança se suplementam na tradução da reciprocidade impressa pelo processo de criação.

tela

26/09/2010

Ouvindo Arctic Monkeys, pensando no dia em que eu tiver trinta e cinco anos de trabalho. Pensando que eu deveria pendurar um quadro por semana na parede da escrivaninha. O que há de mais colorido aqui é o fundo de tela.

coesia

24/09/2010

Poesia concreta encontradição barroca

                          [brincar sério]

No século XVI, assinala Duvignaud, “a aventura do capital e da produtividade econômica é clandestina, mas a obrigação de optar por um dos mundos possíveis está contida implicitamente na vida cotidiana”.

Nesse conflito, nessa mutação, se situa a estranha explosão do imaginário e da festa que tomou o nome de ‘barroco’.

Um tempo em que as normas estabelecidas se esvaziam de sua substância, em que os modelos éticos ou culturais se dissolvem, em que o desejo – impreciso, vago, infinito – transborda os objetos que até então esgotava, para realizar-se em uma frustração irreprimível de que são depositários momentâneos o artista, o príncipe, o místico, o amante. Surge então uma paixão alucinante que atormenta as formas.

O barroco é o ponto de vista por entre uma fissura.

Consagrar emoção à pedra, à forma, aos sons, é o ato inverso àquele que conduz o cálculo econômico que mede a rentabilidade pela quantidade de trabalho investido nas coisas produzidas. Constitui, provavelmente, sua veemente refutação. O ato barroco é um sacrifício inútil: desvaloriza as coisas para injetar-lhes emoção.

“Uma corrente dionisíaca que longe de começar pela imitação das formas conhecidas e culturalmente instituídas, se lança ao mundo, à natureza, ao cosmos, em busca de formas […] a vida está aqui na terra e a materialidade das coisas é uma festa”.

Num mundo de objetos compráveis, interpõe-se um cujo valor não se dá através de uma economia de mercado. O ataque está feito, uma brecha encontrada.

2008

01/09/2010

Este ensaio também se chama Eu, João, Comolli e Santiago. [2007-2010]

Tomei a liberdade de eleger um filme como pedra de toque para esta escrituração. Santiago, de João Moreira Sales. […] Há também, e não quero negá-lo, uma outra razão para essa escolha: a verdade idiossincrática de uma película que atravessa minha história enquanto espectador.

Primeira parte.

A primeira vez que assisti a Santiago, no cinema, em 2006, algo impeliu-me a uma escrituração instantânea,  e, num golpe, registrei-lhe palavras. Nessa época, a meio caminho entre a literatura e a antropologia, várias eram minhas aflições. Entre elas, certamente, a incerteza implacável contida em toda comunicação. Certa vez escrevi, Às vezes tenho a impressão de que a antropologia só fará sentido no dia em que ruir, como minhas palavras só fazem sentido na minha morte. Esta impossibilidade, que foi alvo de minhas elaborações ao longo de quase toda a graduação, sofreu, no entanto, recentemente, uma espécie de abalo sísmico. A antropologia, esse regime de ordem livremente consentido ao qual meu texto dá continuidade, é uma das responsáveis por esse tremor a que me refiro.

Acreditando na impossibilidade da tradução, despendi cinco anos de graduação em busca das alteridades do eu, ontem, enquanto fumava um cigarro, mirei uma lagartixa no tempo do teto. A súbita impressão de que ela estivesse nervosa diante daquela presença – eu, brasa, fumaça – projetou na minha imaginação a visão de mim sob uma perspectiva dela. Num espasmo de pensamento me deixei seduzir pelo terror a mim mesmo. Eu me transformara, na duração de um lapso, naquela lagartixa.

Agora, formado, monografia defendida, prestes a adentrar de vez a academia, o eu começa a buscar forma no outro. Instaura-se, então, o avesso de uma busca, que atravessa nesse instante um filme cujo nome se chama Santiago. Em Santiago, a satisfação dos nossos desejos é constrangida a uma elaboração mais poderosa.

O excesso de suor sobre a face do boxeador, as folhas que artificialmente caem sobre a piscina, os sacos plásticos bailando no céu ao sopro de um ventilador, enfim, toda uma série de retoques que estão fora de campo. O narrador nos diz, em algum momento, “filmei inúmeras cenas em estúdio, elas me serviriam para ilustrar as histórias que Santiago me contou durante os cinco dias de filmagem, um trem elétrico, rolos de fumaça, um casal valsando, um vaso de flor, dois sacos plásticos voando no ar, um lutador de boxe. Essas imagens foram filmadas porque tinham uma função. Se não servissem para ilustrar uma fala de Santiago, não teriam sido feitas. No entanto, muitas delas são bonitas. Hoje gostaria que fossem vistas apenas porque são bonitas, livres de toda finalidade”.

A primeira montagem do filme não funciona. Santiago está distante e sua imagem se insere em meio a quadros repletos de objetos, pedaços e sombras. Mais de uma vez se ouve a voz dirigente do diretor a reger os movimentos, a postura de um personagem a quem não foi concedida responsabilidade por seu próprio drama. E não deixa de ser impressionante que, ainda assim, Santiago transborde. Em algum momento, Santiago sugere uma frase, “[…] com esse pequeno depoimento que vou fazer com todo carinho… Não se pode começar assim?” – “Não”, é o que lhe responde João, “encosta de novo, encosta, e não olha pra gente não, não olha pra gente não, vai! […] Conta aquela história, mas conta isso rápido pra gente!”.

Somos liberados de qualquer adulação astuciosa quando nos são devolvidas as perguntas e demandas do diretor, que seriam obliteradas numa primeira mixagem. Santiago já não se presta a um monólogo imaginário e a confusão, aquela de um destinatário ausente, muda radicalmente de lugar. Estatela diante de nós o descontrole, e o desejo, mais uma vez, é significado pelo imprevisível. Filme abandonado.

Santiago, o sujeito, põe o primeiro e não realizado filme a perder. Santiago afeta Santiago até modificá-lo ou destruí-lo. A delicadeza está no fato de que o filme, que podemos dizer, dura treze anos, se funda nas conseqüências que acarreta para suas próprias linhas de força. Este é o mecanismo do documentário, “a favor do jogo, contra o programa e, conseqüentemente, contra o controle”. Versões sucessivas, ensaios e erros.

Santiago não garante a posse ou o domínio do mundo. O incontrolável é reiterado enquanto uma condição da invenção. Um filme que permanecera fechado por treze anos se abre então àquilo que ameaçava sua própria possibilidade de existência. No entanto, um filme sobre um filme é, todavia, um filme. Em Santiago, pela saúde de todos nós, “dúvida e certeza se combatem e voltam a atuar em um movimento sincrônico, e essa alternância define o lugar do espectador como lugar incerto, móvel, crítico”, palavras de Jean-Louis Comolli a respeito do gênero documentário.

“Santiago sugeria que a vida podia ser lenta, mas não era suficientemente lenta. Ao longo dos cinco dias de filmagem ele não falou de outra coisa. Eu não entendi […] Num dos seus filmes, o cineasta Werner Herzog diz que, muitas vezes, a beleza de um plano está naquilo que é resto, no que acontece fortuitamente, antes ou depois da ação. São as esperas, o tempo morto, os momentos em que quase nada acontece […] E no fim, quando Santiago tentou me falar do que lhe era mais íntimo, eu não liguei a câmera. ‘Agora podia agregar esse pequeno… Escuta, Joãozinho, há também um… Desses pequenos, que é muito simpático, eu pertenço a um grupo, a um núcleo de seres malditos…’ – ‘Não, isso não precisa’”. Pois parece que precisou, sim.

vi

01/09/2010

[para Gregório Pimenta]

Atualmente não sou capaz de escrever uma meia dúzia de palavras sem ser tomado por uma impressão infeliz de inutilidade. Hoje me deparei com esses restos verbais, literalmente desperdiçados, jogados no lixo.

Um texto que se profere a si: eis a sua singularidade.

Arte e Antropologia: ambas residem onde não estão e o que importa nelas é o que não são.

Aponto para a seguinte problemática: não ter essência pode vir a se tornar uma?

Uma vez escrevi um diálogo. – Perdão, senhor, mas seu trabalho mental não serve, sua inteligibilidade tampouco. – Ó, antropologia, deixa-me acolher em ti o fruto do meu trabalho! – Não, criatura, de mim só faz parte aquilo que sou eu! Uma brincadeira, está claro. Cujo fundo, sabidamente, de verdade, consiste em uma de minhas investigações.

Poderia um antropólogo, em pleno exercício de seu ofício, produzir objetos [antropológicos, portanto] com a intenção de serem esteticamente atraentes, não estrita e pragmaticamente funcionais?

Este texto jamais será o substituto de outra coisa, sendo em si a coisa simultaneamente significante e significada.

Um método que é ao mesmo tempo um tema, este texto, em cujo procedimento procuro exemplificar suas proposições, é de antemão uma experimentação. A primeira delas, promover algum trânsito entre arte e ciência no que tange o alinhamento mesmo, o formato, da narrativa antropológica e, portanto, de sua exposição [que é também a maneira como uma obra (de arte) recebe a luz].

As palavras são reais. Sejam elas discursivas, persuasivas, lógicas, ou expressivas, perscrutadoras, lúdicas. É preciso desbanalizar o fenômeno da escrita e, portanto, o da leitura.

Eu poderia dizer que a presença da antropologia no meu trabalho se dá pela sua falta. Ausência que constitui, então, uma presença [antropológica]. De uma maneira ou de outra, realizo uma investigação cuja hipótese, ainda não formulada, se refere aos limites dessa disciplina no sentido de expandi-los. Há algo de radical nessa proposição, e é isso o que me fascina. Mas é preciso advertir aqueles que enxergam nessa brincadeira epistemológica uma inclinação desconstrutora. Prefiro dizer de uma construção, de uma composição, de uma imaginação da presença de uma falta enquanto uma presença.

De um ponto de vista só, colei meu olhar no seu. Mirei um só grão de pó e a vista se me encolheu. Meço o que já tenho, arranho o que esqueci, sou o que não tenho, sonho o que não vi.

Québec

29/08/2010

Este texto é a tradução livre [mas não tão livre assim] de uma outra tradução, que realizei para um texto de Léa Perez. Do português para o inglês para o português.

Sincretismo religioso e cultura nomádica na contemporânea sociedade brasileira

Léa Freitas Perez

Introdução

Múltiplas formas de organização são as condições tramadas pela história do Brasil, marcada e modelada pela pluralidade de seus códigos e registros culturais. Em outras palavras, multiplicidade é um estado inerente ao modo de ser e estar da sociedade brasileira.

Nossa estrutura social é irredutível a uma unidade global, fixa, imutável. Jean Duvignaud assinala que “o Brasil é uma nação, seus habitantes alegam ser brasileiros, mas a diversidade de grupos e laços entre eles não está baseada em uma visão geral, que seria duplamente abstrata e imprecisa. Nesse país a experiência coletiva é resistente a reduções. Sensualidade e paixão conformam todos os tipos de troca, da violência à delicadeza – fato que frequentemente desafia esquemas estatísticos demasiadamente classificatórios”. [1992: 7, 8].

E isso funciona? Manifestamente sim. Mas como?

O que faz do Brasil o Brasil, seguindo as palavras de Roberto DaMatta [1986], é um sincretismo religiosamente complexo, mesclado de nomadismos culturais correntes – uma força que arranja elementos distintos e paradoxais para compor uma sociedade, um mecanismo que mistura diferenças e distinções – um simultâneo vetor de movimento, plasticidade e  composição.

Os brasileiros não são apenas profundidades religiosas como têm também uma variedade de crenças e práticas ao seu dispor. Trata-se de uma religiosidade dionisíaca – selvagem, irracional, indisciplinada –, uma religiosidade festiva, carnal, antes vivida dramaticamente e coletivamente, do que sentida na solidão profunda de um único e mesmo sujeito.

Nossa religiosidade e nossa sociedade são inerentemente desajuizadas. Trata-se de um laboratório primaz de sincretismo nômade [nomadismo sincrético], especialmente nos domínios festivos. No Brasil, expressões festivas, religiosas, efervescentes, arranjam e tornam possíveis espaços de sociabilidade nos quais diferenças são trazidas juntas e figurações sociais ganham cena.

A sociedade brasileira, de feições plasticamente cambiantes, não pode ser analisada através de conceitos congelados.

Por isso, inevitavelmente, este pequeno texto experimenta em suas dobras a sutileza dos fatos que menciona ao passo que enxerga seu país de modo naturalmente interpretativo, pois que aberto, obstinado em escapar de soluções apáticas, rumo a sabedorias mais vistosas.

Para ser generoso frente a esse país intrincado parece não haver outro caminho à compreensão senão tornar-se poeta. Nas acuradas palavras de Roger Bastide, “não há prescrições conceituais para o sociologista que estuda o Brasil”. Para adentrar tal veracidade precisamos “encontrar conceitos cujo estado material possa fluir com relativa facilidade, possibilitando a descrição interpenetrada dos fenômenos de fusão e ebulição, cuja conformação se dá numa realidade viva em perpétua transformação” [1957: 15, 16].

Sincretismo religioso e nomadismo cultural são conceitos tais. Não significam uma mistura plana e confusa de elementos caóticos e indiscriminados a possibilitar movimentos randômicos de um lado para o outro. Praticamente sinônimos, estes termos refletem um modus operandis que pertence à ordem da simultaneidade. Múltiplas combinações, nunca idênticas e tampouco imersas e imiscuídas num todo indistinto. The cards remain cards though. Quem tem a autoridade, a escolha de conectá-las e jogar, é o dono do jogo.

Primeiras Pegadas

Nossos jornais estão repletos de anúncios de feiticeiros e bruxos de inúmeros tipos, que prometem alegria aqui e agora. Estabelecimentos onde se compram os mais inacreditáveis produtos mágicos…

Este monólogo se chama aproximação, foi escrito no dia 27 de agosto de 2010, e sua ascendência remonta diretamente ao pensamento mítico de uma mulher chamada Léa Perez.

Meu nome é Wilson, mas o pessoal da firma me chama de Martins. Sou inteligente, brasileiro e sincrético. Sou um nômade cultural. Eles me chamaram aqui pra dar um depoimento breve, geral. Então vamos aí. Eu trabalho numa boutique transnacional dedicada às magicâncias. Nossos clientes vão, desde notáveis diretores de novelas, passando por ilustres locutores de programas religiosos, eminentes membros da bancada evangélica no Congresso Nacional, até célebres atletas de Cristo. O jornal que eu li hoje está empanturrado de magos e bruxos dos mais variados. E lá fora, na rua, promete-se a felicidade aqui e agora. O nome dos meus filhos eu escolhi com base em consultas numerológicas e meu divertimento predileto é visitar espaços diferentes de culto religioso. Tem aos montes. Terreiro afro, igreja evangélica, pentecostal, centro espírita, templo esotérico, seita etc. Mas eu gosto mesmo é de festa. Por isso que eu gosto dos carismáticos da igreja católica, dos padres cantores, das missas-espetáculos. Eu sou gente, e acho que isso são manifestações culturais. Laços sociais, como dizem os entendidos. Até onde eu vejo, não tem mais tradição. A memória está vazia. Mas a sensibilidade está repleta. Pessoalmente, eu acho os grandes sistemas meio aborrecidos. A exclusividade é ortodoxa demais e eu gosto de pequenos agrupamentos, sem contorno fixo. É bom transitar sem contradição. Participar leve. Fluido. Mas ainda sim uma participação coletiva. É bom estar junto. Dia desses li uma frase que eu não entendi muito bem, mas achei tão bonita que até decorei. É assim, “uma comunhão de sentimentos promovida sob a influência da exaltação geral, ou seja, no seio de uma assembléia que esquenta uma paixão comum”. Bonito, não? Assim até parece que a experimentação do mundo é um espetáculo festivo, um investimento passional transitório. Acho que a vida seria melhor se não precisasse de objetivo, de finalidade. Chega de intenção. Não há o que explicar, nem o que interpretar. Nesse universo sem centro a minha alma se salvou no dia em que nasceu e o cotidiano bem que podia ser uma festa. Pra mim o afeto é estético, a razão é sensível e o Brasil é um laboratório. Outra coisa que eu li outro dia, “o sincretismo é estruturalmente a tradução ou o correspondente religioso do fenômeno mais geral da civilização brasileira, que é ela mesma sincrética”. “Civilização brasileira” é o máximo. Pronto, é isso. Pode cortar.


BASTIDE, Roger. Brésil. Terre des contrastes. 1957. Paris, Hachette; DaMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? 1986. Rio de Janeiro, Rocco; DUVIGNAUD, Jean. “Avant-Propos”. FREYRE. Gilberto. Terres du sucre. 1992. Paris, Gallimard; LEACH, Edmund. Cultura e comunicação. 1978. Rio de Janeiro, Zahar Editores; MARTINS, Wilson. História da inteligência brasileira. vol. VII. (1933-1960). 1977-1978. São Paulo, Cultrix/Editora da USP; MAUSS, Marcel. As civilizações: elementos e formas. Ensaios de sociologia. 1981. São Paulo, Perspectiva; MOTTA, Roberto. Le métissage des dieux dans les religions afro-brésiliennes. 1993. Religiologiques. Le métissage des dieux. Montréal, Université du Québec.

ponto III

03/07/2010

Hoje sonhei que declarava certas imagens, certos textos. Sonhei que presenteava minha carne ao mundo. Hoje sonhei que respondia respostas sem pergunta, e eu era bom morto. Hoje eu fiquei bem no meio deste texto sem fim. Acordado, de pijama. Cobertor e saudade – do ponteiro à cabeceira. E você, como está?